Tuesday, April 28, 2009

Como o tempo passa

Já lá vão dois anos...

Tanta coisa aconteceu...

Há um ano o meu mundo desabou. Descobri, por acaso, um pequeno nódulo na mama esquerda e não tive dúvidas, tinha um cancro. Fiz mamografia, ecografia e finalmente uma biópsia, que vieram confirmar o que eu já sabia. claro que ainda tinha uma esperançazinha de que não passasse de um nódulo sem importância mas não tive essa sorte.

A minha filha mais velha está, desde Setembro de 2007, em Oxford e eu fui adiando a prometida visita mas tinha-lhe dito que iria depois da Páscoa. Quando ela me perguntava se eu já tinha comprado o bilhete respondia-lhe que em breve o compraria. Um belo dia de Abril quando tirava o soutien reparei que este me tinha deixado um vergão e ao passar os dedos senti um papinho. No momento não fiquei muito preocupada mas no dia seguinte comecei a matutar no assunto e resolvi pedir ao meu médico, o dr. Ricardo, para me prescrever uma mamografia. Só a fiz no dia 5 de Maio porque não pedi urgência; eu não queria meter-me à frente dos outros. Deram-me o resultado no mesmo dia e levei-o imediatamente ao meu médico que me marcou uma biópsia para a mesma semana. Cerca de 12 dias depois tive a confirmação.

Nunca me tinha passado pela cabeça que podia vir a ter cancro da mama. Achava que estava protegida. Tinha tido 3 filhos entre os 22 e os 29 anos, tinha amamentado os três, não havia história familiar...Mas ele lá estava. Chorei, chorei, chorei. Agora a minha esperança era ele ainda ser suficientemente pequeno para não se ter espalhado.

Ao longo deste ano só chorei 3 vezes mas esse dia foi o pior.

Na semana seguinte tive uma consulta no hospital de S. Marcos em Braga e aí deram-me oficialmente a notícia. Mandaram-me fazer uma bateria de exames mas eu, a conselho do meu médico, já tinha dado início ao processo. Numa consulta de grupo ficou decidido que me iria submeter a uma tumorectomia e ressecação do gânglio sentinela dentro de 3 semanas. Foi mais cedo do que o previsto. Fui contactada para me apresentar no hospital dia 29 de Maio, mas, por falta de camas, pude regressar a casa e voltar só no dia seguinte. Dia 30 de Maio de manhã fui fazer a marcação do gânglio sentinela, o que demorou horas, e regressei ao hospital. Mal tive tempo para me instalar, trouxeram-me logo a "fatiota" para vestir que incluía umas cuecas espectaculares...Entretanto já tinha chegado o maqueiro para me levar para o bloco e tive de chamar o Pedro à pressa porque ele tinha ido comer qualquer coisa. Pouco antes já me tinham posto o soro e injectado para lá uma droga sem eu dar conta.

Eu nunca tinho sido operada mas já tinha sido submetida a uma anestesia geral que me tinha deixado muito más recordações, por isso estava um bocadinho apreensiva. Uma operação e uma anestesia geral...Enquanto esperava para entrar na sala de operações fui ficando cada vez mais calma e até me surpreendia a facilidade com que estava a encarar a situação, mais tarde soube que já me tinham administrado um relaxante. Volta e meia passava por lá um elemento da equipe que me perguntava como me sentia, se estava confortável, arranjaram-me um lençol quentinho porque eu estava cheia de frio, fizeram-me várias perguntas, das quais já não me lembro e, finalmente, levaram-me para dentro da sala de operações. Transferiram-me para a mesa, colocaram-me os braços em cruz, o direito preparado para receber a anestesia, e o esquerdo para deixar a mama bem exposta. Colocaram-me os elétrodos e fiquei pronta. A dr.ª Conceição já se estava a preparar e eu ainda estava acordada mas sem receio nenhum, observava tudo como se fosse um espectadora e não participante do que se ia passar. Finalmente o anestesista passou em frente da minha boca uma máscara que me fez adormecer quase instantâneamente.